Brasil, jovem em idade, velho nos gastos previdenciários

Com a média de acesso à aposentadoria beirando os 55 anos, País tem despesa similar a nações como Alemanha, Bélgica e Noruega

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Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) comprovam: o Brasil está entre os países que concede aposentadoria mais cedo. A média de acesso ao benefício entre os brasileiros gira nos 55 anos, enquanto em outros países ocorre depois dos 60 anos. Como resultado, o País gasta com benefícios praticamente o mesmo que nações com populações mais velhas.

Na prática, o Brasil gasta o mesmo que Alemanha, Bélgica e Noruega, países com populações mais idosas. Mantidas as regras atuais, a despesa somente com o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pode superar 17% do PIB em 2060. Se somar as previdências próprias dos servidores públicos da União, de estados e municípios, os gastos poderiam superar 23% do PIB – percentual muito superior ao padrão internacional.

Simulações do Banco Mundial apontam para a piora do rombo da Previdência conforme a população continue a envelhecer. A instituição avalia que, se o Brasil quiser evitar o rápido crescimento do déficit sem alterar o valor das aposentadorias, será preciso dobrar a alíquota de contribuição dos trabalhadores em 2035, para aproximadamente 60% do salário bruto. Isso significa que, se a pessoa recebe R$ 1 mil, teria de pagar R$ 600 de contribuição.

Colapso

O banco ainda pondera que em 2065, ainda caso as regras atuais sejam mantidas, seria preciso subir a alíquota para 120% do salário bruto. Funcionaria assim: o trabalhador que recebesse R$ 1 mil, teria de pagar uma contribuição de R$ 1,2 mil – ou seja, a conta não fecha. Esse cenário projetado pelo Banco Mundial mostra que em algumas décadas ocorreria o total colapso do sistema previdenciário, o que causaria sérios problemas econômicos para o Brasil.

“A reforma da Previdência é fundamental”, avaliou o presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Cláudio Gastal. Para ele, o modelo atual também cria desigualdades e injustiças. “As regras atuais beneficiam pequenos grupos, principalmente quando se compara os trabalhadores da iniciativa privada e do setor público”, ponderou.






Fonte: Portal Brasil, com informações da Secretaria de Previdência, do Ministério da Fazenda, do Banco Mundial, da OCDE e do MBC

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